É indispensável compreender a dimensão da crise econômica brasileira e estrutural do capitalismo a partir de 3 pontos cruciais, para consequentemente entendermos o quão necessária é a alternativa revolucionária:

1 – Desemprego médio crescente

Cerca de 282 pessoas estão sendo demitidas por hora no Brasil desde o ano passado, o que equivale a mais de 200 mil demissões por mês, ou seja, 200 mil consumidores e 223 milhões a menos mensalmente que deixam de movimentar a economia.

2 – Superendividamento

A dívida pública, que já representa 67% do PIB, aumenta em média 60 bilhões por mês no Brasil, ultrapassando 700 bilhões anualmente, um incremento de quase 20% por ano.

3 – Desemprego tecnológico

O desemprego tecnológico em curso se acelera cada vez mais. Entre 2007 e 2014, mais de 150 mil cortadores de cana foram demitidos no interior de SP, sendo substituídos por colheitadeiras autônomas que fazem o trabalho de 20 cortadores. 20 mil foram requalificados, o resto certamente foi tentar a “sorte” nas grandes cidades, alguns se reinseriram na construção civil, setor que mais emprega a força de trabalho com baixa escolaridade do país, outros não. Quando essa máquina chegar ao nordeste, essas demissões serão ainda maiores e com reduzida possibilidade de reinserção, considerando que a construção civil encontra-se paralisada. No último ano, os bancos eliminaram quase 8 mil postos de trabalho, a maioria devido a implementação de telas de auto-atendimento nas agências e a crescente digitalização de serviços. A nova safra de tratores e máquinas agrícolas autônomas, Bots, Chatbots e robôs atendentes, carros autônomos e compartilhados (um único carro pode servir a uma mesma família), entre diversas outras tecnologias, substituirão gradualmente boa parte dos empregos no campo, em funções de atendimento e teleatendimento, na indústria tradicional, motoristas de caminhões, táxis, transportes coletivos e outras profissões, respectivamente. Dessa forma, considerando que não há nenhuma perspectiva de requalificação profissional, já que a ausência de renda impossibilita a profissionalização, o desemprego tende a crescer, impactando diversos setores em efeito cascata e colocando a economia capitalista nacional definitivamente em depressão.

Como perceptível, enquanto o desemprego cresce ininterruptamente, diminuindo o consumo e a arrecadação pública, o endividamento aumenta substancialmente, se tornando inevitável a quebra das finanças do Estado a médio prazo. Portanto, sem um programa claro e conciso de radical distribuição de renda, que só pode ser financiado através da mudança das relações de produção vigentes, para reativar a economia mediante o aumento dos níveis de consumo, o desemprego, a miséria e o endividamento da barbárie capitalista nos espera.

PROGRAMA DE TRANSIÇÃO 1

Solução para as crises econômica, ambiental e social

Criar uma grande Central Cooperativa

1. Coletivizar e nacionalizar o parque industrial instalado no Brasil, passando sua propriedade aos trabalhadores, em torno de uma grande Central Cooperativa (leia mais aqui), garantindo a estabilidade no emprego para a classe operária, bem como empregando trabalhadores desempregados, viabilizando assim o aumento do consumo e a reativação da economia, possibilitando implementar o salário mínimo estabelecido pelo DIEESE para composição de uma cesta tanto ao que tange bens de consumo tal como serviços de lazer, saúde, etc correspondente a aproximadamente R$ 4.000,00.

A capacidade tecnológica de nossa época não suporta a contradição entre propriedade privada altamente mecanizada e semi-automatizada nos setores produtivos de um lado, e baixíssima quantidade de dinheiro para consumo da produção social do outro. É fundamental nesse momento de putrefação social que a classe trabalhadora controle os meios de produção, e por meio da garantia do pleno emprego, redução da carga horária, aumento de salários, eliminação de dívidas familiares e da própria lógica de funcionamento da propriedade, revitalize a economia e utilize as forças produtivas disponíveis e emergentes da melhor e mais racional maneira possível. Não há saída dentro do capitalismo, não apenas porque esse sistema garante a exploração de uma classe sobre as outras, condiciona milhões de pessoas a extrema-pobreza e indigência, mas fundamentalmente, porque não se pode assentar o nível tecnológico atual sob suas regras de funcionamento. Ou seja, a própria base material que coordena o funcionamento da sociedade, não pode mais funcionar sob a ordem do capital. Para comprovarmos essa tese, basta verificarmos o tamanho da ociosidade (meios de produção paralisados, sem funcionar) industrial deste ano, que bateu recorde segundo a CNI.

Revolução agrária!

2. Como vimos na explanação da situação agrícola brasileira no texto acima, ainda vivemos sob o jugo do imperialismo, no qual a terra e os recursos dela extraídos se encontram sob controle cada vez maior das grandes empresas e bancos internacionais, enquanto a classe trabalhadora do campo continua sofrendo com a enorme concentração de terras, baixo acesso ao crédito e assédio permanente dos grandes latifundiários. Não podemos nesse cenário reivindicar uma “reforma agrária democrática”, com a mera distribuição de pequenos pedaços de terra ociosos para os camponeses pobres, e ao mesmo tempo manter a legitimidade do chamado “agronegócio”, que utiliza a terra como meio de obter superlucros mediante a exportação de bens primários com alto valor no mercado internacional, que destrói nossos biomas, como a Amazônia e o Cerrado, alterando completamente o funcionamento dos ecossistemas e ocasionando crises hídricas subsequentes, que escraviza milhares de trabalhadores com salários baixíssimos e condicionando muitos a informalidade e extrema-pobreza.

Não podemos conviver com dois projetos antagônicos de utilização da terra e riquezas dela oriundas. De um lado, o desmatamento, o monopolismo privado, a escravidão, quase metade dos trabalhadores camponeses sem direitos trabalhistas garantidos, a permanente e crescente migração de camponeses para os grandes centros urbanos, a farra da monocultura, e a mecanização e semi-automação desempregando os trabalhadores em massa, ao invés de melhorar a qualidade de vida e proporcionar mais tempo livre para outras atividades. Portanto, reivindicamos o limite da propriedade privada da terra ao âmbito da agricultura familiar, a coletivização de toda a terra do latifúndio como parte da Central Cooperativa, o repasse da propriedade e controle de todas as empresas privatizadas na história do país, como VALE, parte da Petrobras, entre outras, para toda a sociedade; o fim da monocultura; abolição do desmatamento e transformação total do código florestal vigente; e a garantia social de todos os direitos trabalhistas, sociais e democráticos dos que garantem efetivamente a nossa alimentação diária!

Monopólio do sistema bancário em torno do BNDCS (Banco Nacional do Desenvolvimento Científico e Social)

3. Colocar o sistema bancário sob controle público, com taxa de juros entre 1 e 4%, na qual todos os trabalhadores da Central Cooperativa, pequenas empresas remanescentes, além dos movimentos populares revolucionários, intelectuais progressistas e todos que quiserem fazer parte da nossa transformação material, serão correntistas e associados, e financiarão a produção econômica a curto prazo, garantindo assim que as fábricas e o campo tenham crédito para produzir em escala.

Atualmente, o caixa dos grandes bancos nacionais e internacionais é utilizado majoritariamente para o investimento especulativo, o capital produtivo que não gera mais altas taxas de lucro foi substituído pelo capital fictício-parasitário-financeiro. A princípio, se faz necessário criar um banco alternativo ao dos capitalistas e do Estado-burguês, e a única forma viável e mais próxima para os trabalhadores, é uma cooperativa de crédito, onde os próprios trabalhadores sejam associados, depositem seus rendimentos e poupanças e sejam credores e devedores. Num segundo momento, passada a necessidade primária e subsistente de ocupar e controlar os meios de produção e posteriormente tomar a direção do Estado, precisaremos monopolizar o sistema bancário para direcionar toda a poupança socialmente produzida para a nova revolução industrial, destruindo assim a especulação financeira, o parasitismo e proporcionando uma economia próspera, harmônica e capaz de garantir a qualidade de vida necessária para todos.

Redução drástica da carga horária

4. Redução da carga horária para no máximo 4 horas por dia. Com a capacidade produtiva atual, cujos níveis de ociosidade chegam a incríveis 81% na indústria de caminhões, é plenamente possível empregar mais trabalhadores, tanto em cooperativas rurais e agrofábricas, como em fábricas urbanas, viabilizando dessa forma a redução drástica da carga horária.

A redução da carga horária, aliada a propriedade coletiva dos meios de produção, é um passo fundamental para a garantia do pleno emprego e subsistência dos trabalhadores. Sem reduzir a carga horária, não temos como empregar toda a mão de obra disponível, e por conseguinte garantir que os frutos da produção social sejam distribuídos. Trabalhar menos para que todos trabalhem!

Democracia do Poder Popular!

5. Implementar uma gestão política radicalmente democrática, onde problemas como a política salarial, dívidas deixadas pelo patronato e prioridades orçamentárias, serão decididos em assembleias e conselhos populares.

As fábricas ocupadas Flaskô, Cipla e Interfibra, além das agrofábricas do MST (96 no total) nos dizem o caminho de como alcançar uma gestão democrática em fábricas, fazendas e empresas em geral. Todas as questões referentes ao planejamento das unidades produtivas devem ser explicadas e aprovadas em assembleias, tanto no que concerne aos objetivos individuais de cada localidade, como na aliança entre todas as unidades, para que a relação entre elas seja de harmonia mútua, e funcionem exclusivamente para o bem comum. Esse controle popular se ampliará uma vez tomado o controle do Estado, momento no qual viveremos sob autêntica democracia socialista, não apenas gerenciando as unidades de produção, mas toda a ordem social, através de conselhos populares radicalmente democráticos e plataformas virtuais, sempre com base na ciência e no avanço das forças produtivas!

Redução dos impostos sobre o consumo e a produção

6. Reduzir a tributação sobre a Central Cooperativa para aumentar os salários!

Com a socialização dos meios de produção, o Estado financiará seus custeios e serviços com a extração de um percentual de no máximo 10% no faturamento nacional do setor produtivo, acabando com a burocracia e a lentidão na prestação de serviços e execução de obras, bem como desonerando o setor terciário e por conseguinte controlando a inflação.

Comércio popular em grande escala

7. Criação de um comércio popular para vender a produção social das cooperativas.

A exemplo das “feiras da reforma agrária”, que se trata de um comércio popular, utilizado como extensão da agricultura familiar e assentamentos cooperativos, a nova Central Cooperativa deve criar o seu próprio comércio popular. Em cada bairro é necessário ter unidades de distribuição, que vendam a preço acessível a produção social, estimulados pelo novo sistema bancário dos trabalhadores, que disponibilizará uma reduzida taxa de juros.

Um estado burguês-latifundiário burocrático jamais tomará tais iniciativas, por inviabilidade administrativa, já que a sua jurisdição não é permissível, e pela própria lógica de escolha (subordinação ao poder econômico) dos agentes políticos que compõem esse estado. Portanto, o lema de Rosa Luxemburgo está mais vivo do que nunca: Socialismo ou Barbárie!


PROGRAMA DE TRANSIÇÃO 2

O Programa de Transição 2 consiste em demonstrar e compreender como as novas forças produtivas (Nova Revolução Industrial, especialmente a nanotecnologia)  serão primordiais na reorganização do novo modo de produção pós-capitalista, pois estão calcadas e focadas na base material da organização social, que como Marx mesmo ressaltou, “o que os homens são, são suas condições materiais de produção, e o que eles são, está estritamente vinculado como se organizam para produzir e reproduzir sua vida material e atender suas necessidades fisiológicas e socialmente constituídas”. Isso condiciona o processo de vida social, espiritual, político e artístico de uma dada sociabilidade, portanto não interessa no tema abordado o aprofundamento da superestrutura, o essencial é a infraestrutura e as condições objetivas das forças produtivas que viabilizam a transição do modo de produção capitalista para um novo modo de produção. Obviamente essa transição ocorre por intermédio de uma nova Revolução Industrial, ou seja, por uma nova forma de produzir energia, uma nova forma de produzir a vida material, revolucionando os meios de produção e de distribuir essa produção, bem como uma nova forma de manutenção de nossa organização corpórea e erradicação absoluta de todas as doenças que nos assolam.

A nova Revolução Industrial, pode-se dizer que é uma mudança autônoma e concomitante induzida pelas forças produtivas, uma vez que só será possível em detrimento do conhecimento acumulado de diversas áreas científicas e da atividade prática humana criando intermediação entre nós e a natureza a fim de extrair melhor os recursos naturais para atender nossas necessidades no decorrer do processo histórico, e a deliberação das pesquisas e dessas mesmas forças produtivas por agentes que visam a emancipação humana. A nova Revolução Industrial esta calcada em três pilares centrais e outros adjacentes.

A primeira se refere as fontes de energia alternativas, novas formas de obter energia gratuitamente, com impacto ambiental nulo e extremamente abundantes. A nossa atual matriz energética é extremamente poluente, exige grandes obras de infraestrutura, entre as quais, mencionamos a Energia Hidrelétrica, Biomassa, Geotérmica, Nuclear. Já as novas formas de obter energia são muito mais eficientes, exigem pouco sacrifício e custo de produção praticamente nulos, além de baixíssimo impacto ambiental, ou seja, sustentáveis e limpas. Estas são: a energia solar, eólica e a higroeletricidade (energia elétrica obtida da umidade do ar), descoberta por um cientista da Unicamp.

O segundo pilar é a Fabricação Aditiva, esse novo meio de produção mais popularmente conhecido como ‘Impressão 3D’, que permite descentralizar os meios de produção, substituir a produção em escala pela produção customizada em escala, e o acesso coletivo aos meios de produção. Os produtos finais não precisam ser transportados fisicamente para distribuição, permitindo o compartilhamento apenas do modelo virtual, sendo impresso no local, abolindo a necessidade de troca e da moeda, bastando a utilização de uma rede peer-to-peer, eliminando dessa forma:

Propriedade privada: O acesso é universal, as impressoras são auto-replicáveis (podem se auto-imprimir), gerando o que denominamos de manufatura exponencial, multiplicando dessa forma os meios de produção.

Divisão do trabalho: além de automatizar todo o processo produtivo, abole não só a divisão do trabalho manual, mas entre unidades produtivas. Se trata portanto de um montador universal, podendo produzir qualquer objeto, exigindo apenas a matéria-prima e a modelagem virtual.

Relação de troca: permite o compartilhamento em uma rede peer-to-peer dos modelos digitais em qualquer lugar no mundo no espaço e tempo via internet, logo, não necessita de trocas físicas, bastando imprimir o produto no local. Existem scanners que digitalizam na hora os produtos, sendo impossível impedir a sua réplica. Como se trata de um meio de produção homogêneo, substituindo bens-de-capital heterogêneos, os produtos qualitativamente distintos podem ser produzidos na mesma fabricadora, dispensando um equivalente geral de mercadoria para mediar a relação social de troca entre os agentes sociais, abolindo a necessidade de moeda, se preocupando apenas com a variação de estoque de matéria-prima.

Acumulação de capital: não há moeda, forma relativa equivalente, não há propriedade privada, é acessível a todos, logo não há como acumular, ao contrário, se trata de um meio de produção naturalmente descentralizado e coletivo.

Trabalho assalariado: o processo é totalmente automatizado, e as unidades produtivas unitárias, portanto não há necessidade nem de trabalho manual quanto menos organizacional em hierarquia para controlar os meios-de-produção.

Comparação com a fabricação convencional, também denominada subtrativa.

A presente comparação visa elencar as vantagens da fabricação aditiva em relação a fabricação subtrativa em escala (fordista, toyotista, volvista, etc.) como método de produção a ser adotado no modo de produção posterior ao capitalismo.

Fabricação aditiva Fabricação subtrativa
Unidade produtiva miniaturizada
Consome menos de 70% de matéria-prima, racionando os recursos e não necessita de administração, coordenação e controle.
Unidade produtiva colossal em escala
Desperdício de energia e matéria-prima. Poluidora do meio-ambiente. Necessita de uma estrutura significativa para administrar e controlar os processos.
Portabilidade
Por ser miniaturizada e horizontal, não necessita ficar fixa e estanque em uma região ou local, permitindo a reprodução e redistribuição da população no espaço, reduzindo a concentração demográfica e todos os problemas decorrentes (trânsito, caos, estresse, saneamento, etc.).
Estanque e fixa no local
A produção em escala necessita de recursos vultosos e ocupa grande proporção espacial, concentrando demograficamente a população culminando em todos os problemas urbanos (trânsito, caos, estresse, depressão, favelização, etc.).
Convergência produtiva (Bens-de-capital homogêneos)
Por se tratar de meio de produção homogêneo e converter todos os meios-de-produção em um, não necessita de cálculo econômico e divisão do trabalho entre máquinas e unidades produtivas (intricamento) para saber para quem produzir e como produzir, bastando apenas controlar a variação do estoque e a apropriação se dá de forma direta.
Bens-de-capital heterogêneos
Necessita de cálculo econômico e sistema de preços para coordenar o plano de ação entre as unidades produtivas, portanto de uma rede complexa e confusa de intercâmbio material para saber o quanto produzir, como produzir e para quem, resultando em desperdício de matéria-prima e sacrifício de logística, a apropriação da produção se efetiva através de trocas monetárias.
Não necessita de estoque de produtos acabados e de insumos
O processo bottom-up da fabricação aditiva permite que do “pó” se fabrique o produto com peças integradas, portanto o único estoque de dimensão reduzida é de matéria-prima em sua forma bruta.
Necessita de estoque de produtos acabados e insumos
Como a fabricação em escala necessita de estoque de insumos e produtos acabados para especular e suprir uma demanda em potencial, extraem recursos excedentes do planeta, desperdiçando caso não seja absorvido para descarte.
Automatização
Permite a automação total do processo produtivo, abolindo o trabalho manual e a repetição de tarefas, concomitantemente a alienação do trabalho, abolindo a divisão do trabalho também.
Mecanização e automação parcial
Apesar de haver unidades produtivas em escala de 95% automatizada, estas são minoria e utilizam da energia psíquica e esgotamento físico do operador, culminando em acidentes de trablaho e gerando produtos de qualidade inferior.
Reciclagem
Permite reclicagem de quase 100% dos produtos, que podem ser reutilizados para matéria-prima bastando decompô-los para fabricar outro produto com outro valor de uso, com custo extremamente baixo porque se trata de uma fabricadora universal, bastando munir a forma por um software de modelagem, gerando abundância. Não necessita de embalagens e outros adereços.
Não reclicagem
A reclicagem na produção em escala é custosa e ineficiente, aumentando a quantidade de lixo e os problemas urbanos, desperdiçando irracionalmente os recursos naturais, gerando escassez. Necessita de embalagens e outros adereços.

Nanotecnologia

O terceiro pilar central é a nanotecnologia. O homem sempre buscou controlar a natureza para fazer dela submissa a suas necessidades e vontades, essa tem sido a luta do homem desde quando começou a se organizar em grupos para produzir e reproduzir incessantemente sua vida material cotidianamente. Pois bem, chegamos a um patamar nunca visto e que terá consumado essa nossa intenção de controle da natureza, estamos controlando a menor unidade da matéria, os átomos e as moléculas, com o advento da nanotecnologia. Poderemos reorganizar os átomos e moléculas de acordo com nosso plano de ação e assim criarmos produtos jamais vistos na natureza, com utilidades bem superiores que os de agora, materiais novos, mais resistentes. A nanotecnologia molecular é o que determina ou podemos dizer o cerne da Nova Revolução Industrial, uma vez que essa tecnologia é o novo meio de produção, basicamente ela utiliza como matéria-prima os átomos e moléculas e reorganiza sua causa formal e material cujo processamento gera produtos úteis ao homem, como computadores, comida, calçados e etc, no entanto passará por uma fase intermediária, que é a fabricação aditiva, o meio-de-produção de transição para definitivamente chegarmos na nanotecnologia molecular, o “cálice sagrado”. Por isso dividimos o programa em transição 1 e 2, para reorganizar as novas forças produtivas em bases assentadas de novas relações de produção.

O principal pesquisador envolvido mundialmente na nanotecnologia molecular, que inclusive cunhou esse nome para a tecnologia, como também teorizou a respeito é o Doutor Kim Eric Drexler, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O tema é de grande importância em virtude que estamos a poucos anos dessa singularidade tecnológica que começou há vinte anos atrás, e vem sendo pesquisada por cientistas do mundo inteiro, com redes de colaboração mundiais. Será a mais bem sucedida e eficiente revolução dos fatores-de-produção de toda história da humanidade, que culminará em uma nova era, uma nova forma de organização social, e o novo começo da história humana. De fato o impacto de tais tecnologias revolucionará a política, a economia, as artes, as ciências, os esportes e a forma de relações sociais. O foco do tema é analisar a grande revolução que ocorrerá na economia, ou seja, na forma de selecionar o que produzir, como produzir, para quem produzir e as relações que regem a produção, já que são essas relações que engendram o modo de gerência e controle social (política), o conteúdo expresso das artes, as normas societárias e toda a superestrutura. A intenção do Programa de Transição é demonstrar através de um conjunto de premissas e encadeamento lógico que as tecnológicas emergentes (nanotecnologia, fontes de energia inesgotáveis e limpas) vão impactar nas relações de produção capitalistas e permitir construir uma nova relação de produção. O objetivo é demonstrar que essas tecnologias vão impactar diretamente nesses elementos que compõem as relações sociais de produção capitalista:

* Relações de trocas comerciais

* Divisão social do trabalho

* Lucros das empresas

* Acumulação de capital

* Propriedade Privada

* Força de trabalho

Essas tecnologias emergentes permitirão uma singularidade tecnológica, da qual irá destruir criativamente, como dizia Schumpeter, os fatores de produção. Entretanto, ao contrário do que ele acreditava (iria gerar um novo processo de expansão mercadológica), essas novas força produtivas irão subverter toda a ordem vigente, colocando em risco a própria existência da economia de mercado. A nanotecnologia molecular vai permitir a dispersão dos meios de produção, socializando de certa forma a reciclagem inesgotável da matéria-prima, barateando os recursos necessários para produzir, vai permitir produtos extremamente superiores no aspecto qualitativo que conhecemos hoje, com uma durabilidade muito grande, o que influencia no ciclo de vida do produto, e não necessitará mais de divisão social do trabalho em unidades produtivas, já que poderá produzir qualquer coisa desde que se tenha a forma e a constituição do objeto, e por conseguinte tende a abolir a necessidade de trocas e moeda para apropriação dos produtos, isto é, elimina completamente as relações de troca. Como os custos de produção são baixos e acessíveis, não se tornam lucrativos e atraentes, impactando nos lucros auferidos. E como esses meios de produção são de fácil reprodução, também impactam na acumulação de capital e na propriedade privada.

A Energia solar é um exemplo do incrível poder da nanotecnologia, trata-se de uma das melhores fontes de energia renováveis atualmente, haja vista que 1 hora de energia elétrica que incide sobre o planeta equivale ao que produzimos de energia elétrica com os métodos convencionais durante 1 ano, isso quer dizer que estamos falando de uma fonte inesgotável e gratuita de energia. Através de nanopartículas, já conseguimos produzir painéis solares finos, flexíveis, eficientes e um a cada dez segundos com 40% de conversão de energia solar em elétrica.

Como dizia Karl Henrich Marx, explicando a concepção do desenvolvimento da história (materialismo histórico), o modo como os homens produzem, a partir de uma intermediação com a natureza, em conjugação com as forças produtivas, determina uma organização social especifica do processo histórico. Essa concepção é interessante e permite verificar qual será o impacto das novas forças produtivas em ascensão nas relações de produção capitalistas.

POLÍTICA INDUSTRIAL  DO PROGRAMA DE TRANSIÇÃO 2

A Política Industrial do Programa de Transição 2 de um Governo Revolucionário terá suas diretrizes em forças produtivas já existentes mas não aplicadas em detrimento de seus impactos disruptivos na ordem social e relações de produção capitalistas, portanto só as relações de produção socialistas comportam as mesmas. Serão abordadas uma a uma em vídeos, postagens e textos nos nossos meios de comunicação, suas vantagens e impactos para a constituição de um novo modo de produção:

* Meios de Produção: Fabricação Aditiva, Robótica intensa, Nanotecnologia Molecular, Inteligência Artificial.

* Fontes de Energia: Energia Solar com uso de nanotecnologia, Higroeletricidade (eletricidade extraída da umidade do ar), Energia Eólica gerada por mini usinas.

* Comunicação: Internet e telefonia gratuita (IP) via redes Mesh e WIMAX.

* Distribuição de energia: Witricity (energia elétrica sem fio, principio de Nikola Tesla, ressonância magnética acoplada).

* Locomoção: Veículos elétricos, veículos movidos a ar comprimido, veículos autônomos já existentes evitando acidentes de trânsito, diminuindo a quantidade necessária de veículos, Veículos VTOL (vertical take-off and landing).

* Matéria-Prima: 100% reciclada e reutilizada com a Fabricação Aditiva, simples átomos e moléculas com a nanotecnologia molecular (mais avançada).

* Educação: 100% científica, gnosiologia, epistemologia, lógica formal, lógica dialética, axiologia, ciências particulares, educação sexual, utilizando tanto as instituições convencionais como tecnologias digitais, realidade virtual, internet e outros recursos para facilitar a compreensão dos conteúdos.

* Saúde: Biotecnologia, Nanomedicina, Impressão 3D de órgãos para reposição, Célula Tronco, Fabricação aditiva, e a convencional já existente.

* Moradia: Fabricação Aditiva na construção civil, já existente utilizado na China para construir 10 casas por dia, com redução extrema de custo e poluição.

* Água: Extraída da umidade do ar em locais com esse recurso mais escasso, purificado com filtros de nanotecnologia simples como já existe em locais de rios,  lagos e praias.

forças produtivas

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