Primeiramente devemos entender o que é machismo: trata-se de um conceito que crê na inferioridade da mulher, e que o homem, em uma relação, é o líder superior, é quem protege a família, e a mulher está submissa a ele. Para nós marxistas, isso vai mais além. O machismo é um ideal criado pela sociedade de classes para proteger e garantir o mantimento da propriedade privada, tornando assim a mulher submissa em relação ao homem.

O machismo é uma forma de opressão. Essa opressão pode ser tanto verbal, ou seja, o homem menosprezar uma mulher ofendendo-a verbalmente, quanto física, chegando a agredi-la ou explorá-la apenas por ser mulher. Isso pode acontecer também no mercado de trabalho, já que todos nós sabemos que a mulher ganha menos do que o homem e encontra dificuldades para arrumar determinados empregos.

O machismo não é oriundo apenas de uma conduta individual. É uma ideologia, uma filosofia, que é usada para manter a submissão da mulher e aumentar a exploração. Como já dito acima, a ideia é de que as mulheres são inferiores aos homens, que não podem assumir determinadas tarefas ou terem certos tipos de comportamentos. É uma ideologia que coloca a mulher como “dona do lar”, que tem por obrigação cuidar da casa e das crianças, e isso é propagado em escolas, Igrejas, muitas vezes até pela própria família, e por todas as instituições que estão a serviço do capitalismo. O sistema faz o machismo ser um dogma, naturalizado-o.

Machismo: domínio do homem sobre a mulher para garantir a hereditariedade da propriedade privada

Ainda não deve ter ficado claro para você leitor qual a relação direta do machismo com a sociedade de classes e a propriedade privada. Pois bem, o machismo nem sempre existiu. Quando não havia propriedade privada e classes sociais, tanto os homens quanto as mulheres faziam os trabalhos domésticos e participavam da produção social. Quando a sociedade de classes apareceu, por conseguinte surgiu também a propriedade privada e a necessidade de acumular herança. Com isso era preciso dividir as famílias e instituir a monogamia para proteger a propriedade privada. Devido a isso, as mulheres foram tiradas da produção social e da sobrevivência, sendo jogadas assim diretamente para o espaço doméstico. A partir de então foram proibidas de trabalhar, estudar, enfim, de fazer coisas que todos deveriam fazer. Eis que surge o machismo. A luta das mulheres por igualdade pressionou o capitalismo a dar mais direitos para as mesmas, fazendo-as voltarem para a produção social novamente. Esse direito foi uma grande conquista das mulheres, mas como sempre, o capitalismo arrumou uma forma de ganhar lucro sobre isso. O sistema naturalizou a ideia do trabalho doméstico enquanto um dever da mulher, então ela cotidianamente participa da produção social e ao mesmo tempo faz o trabalho doméstico. Também se utilizou dessa naturalização como forma de menosprezá-la no mercado de trabalho, oferecendo uma remuneração consideravelmente menor que a dos homens, além de dificultar e restringir a obtenção de emprego, utilizando as “funções domésticas” historicamente lhe atribuídas como justificativa. A mulher enquanto “dona do lar”,  passa a ser direcionada para tarefas igualmente relacionadas ao âmbito doméstico, tais como serviço de limpeza, trabalho doméstico, cozinha, recepção, entre outros. Segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), dos 53 milhões de trabalhadores domésticos no mundo, 83% são mulheres, chegando a 93% no Brasil. Devido a essa imposição histórica, a mulher passou a gerar uma insegurança financeira para a economia capitalista, pois pressupõe a possibilidade de engendrar aumento de custos indesejáveis intermitentemente e produtividade menor, uma vez que pode ter mais problemas nos cuidados dos filhos e mais cansaço devido a sua triplo jornada de trabalho. A visão do fascista Bolsonaro, de que a mulher deve ganhar menos “porque engravida”, na verdade, é  a visão do sistema capitalista, onde o lucro está acima da vida e da dignidade humana.

Como disse Alexandra Kollontai, em Comunismo e Família:

“O capitalismo carregou sobre os ombros da mulher trabalhadora uma carga que a esmaga; a converteu em trabalhadora assalariada, sem aliviá-la de seus cuidados de dona de casa e mãe. Portanto, a mulher se esgota como consequência dessa tripla e insuportável carga que com frequência expressa com gritos de dor e lágrimas. Os cuidados e as preocupações sempre foram o destino da mulher; porém sua vida nunca foi mais desgraçada, mais desesperada que sob o sistema capitalista”

Nesse sentido, no momento em que o homem é machista, ou seja, que o homem apoia esse ideal de que apenas a mulher deve cuidar dos trabalhos domésticos, de que ela é inferior, etc, ele automaticamente apoia a exploração e a submissão da mulher sob o sistema capitalista, ele reproduz a ideologia do patrão, de forma que mantenha o lucro do mesmo. Pior ainda, se ele faz isso de maneira violenta, agredindo verbalmente ou fisicamente a mulher, ele deixa claro que as mulheres têm de obedecer e ficarem inertes frente a essas agressões. É basicamente um falso privilégio para os homens, pois os verdadeiros privilegiados são os patrões. A superestrutura capitalista induz as pessoas a não só aceitarem a opressão contra a mulher, como também induz as mesmas a acharem que é algo normal, fazendo com que o machismo muitas vezes passe despercebido. Podemos ver isso de forma nítida principalmente em músicas, tais quais contêm letras que menosprezam a mulher e a trata como objeto.

Para que o machismo seja abolido de fato, deve-se também abolir a sociedade capitalista, pois apenas assim as opressões sociais que têm como função principal o mantimento do capitalismo como sistema hegemônico podem ser suprimidas de fato.

Concluímos com isso que o machismo não é próprio da natureza do homem ou decorrente de um fator genético masculino, e sim algo implantado na mente do mesmo pela superestrutura burguesa de modo que seja protegida a propriedade privada através de uma instituição monogâmica onde a mulher é inferior ao homem.

 Referências:

https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2015/05/15/homens-e-mulheres-pre-historicos-tinham-principios-igualitarios-diz-estudo.htm

http://revistagalileu.globo.com/blogs/fator-x/noticia/2015/05/ciencia-comprova-que-igualdade-de-genero-existiu-na-pre-historia.html

http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/01/brasil-tem-o-maior-numero-de-domesticas-do-mundo-diz-oit.html

http://www.observatoriodegenero.gov.br/…

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