Há exatos 131 anos, no dia 1º de maio de 1886, trabalhadores e trabalhadoras de Chicago, EUA, o maior centro industrial do país à época, iniciavam uma rebelião contra a superexploração, a carestia e o sofrimento impostos pelos capitalistas em nome do lucro, num contexto onde não existia qualquer proteção trabalhista, com jornadas de trabalho que frequentemente ultrapassavam 16 horas por dia, sem direito a descanso semanal ou férias, uma brutalidade que não poupava sequer crianças e mulheres (muitas vezes grávidas), obrigados a trabalhar em fábricas sob condições desumanas. Liderados por sindicatos e organizações classistas e combativas, de orientação anarquista, comunista e social-democrata, a reivindicação principal, que paralisou mais de 5 mil fábricas e teve a adesão de 340 mil operários, era a jornada de trabalho limitada em oito horas por dia. Sentindo a força do movimento, alguns capitalistas cederam mais cedo: 125 mil assalariados obtiveram este direito no mesmo dia 1º de maio; no mês seguinte, outros 200 mil foram beneficiados; e antes do final do ano, cerca de 1 milhão de trabalhadores já gozavam do direito às oito horas. No país, a pauta foi conquistada em 1890, quando o Congresso dos EUA ratificou-a juridicamente, após anos de lutas e greves ininterruptas. Como já dizia um panfleto em 1885:

“Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos porta-vozes arrogantes das instituições que têm algemados os trabalhadores! Um dia em que o trabalhador faça suas próprias leis e tenha o poder para executá-las! Tudo sem o consentimento nem aprovação dos que oprimem e governam. Um dia que, com uma força tremenda, o exército unido dos trabalhadores se mobilize contra aqueles que hoje dominam o destino dos povos de todas as nações. Um dia de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e as guerras de todos os tipos. Um dia para começar a desfrutar de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para o que nos agradar.”

Como sempre na história da luta de classes, no conflito inconciliável entre trabalhadores e patrões, de modo que o aumento dos benefícios e salários de um representa a queda do lucro de outro e vice-versa, o Estado, controlado pelos capitalistas, sempre interveio para garantir a ordem econômica de exploração e miséria, através da polícia e “justiça”. Não poderia ser diferente naquele período, onde a repressão armada contra operários para defender os interesses dos grandes patrões era cotidiano. Em 4 de maio, durante mais um protesto dos grevistas na Praça Haymarket, Chicago, dando continuidade as jornadas do 1º de maio, uma bomba explodiu e matou um policial. O conflito se expandiu e a polícia atirou contra a multidão, matando 38 operários e ferindo mais 115.

A mídia dos empresários, como nos dias atuais, exigiu do Estado o máximo de rigor contra os grevistas. Num editorial, o jornal Chicago Tribune esbravejou:

“O chumbo é a melhor alimentação para os grevistas. A prisão e o trabalho forçado são a única solução possível para a questão social. É de se esperar que o seu uso se estenda.”

Cumprindo o seu papel de classe, o Estado burguês e terrorista condenou cinco líderes operários à morte via enforcamento e outros três à prisão perpétua. O julgamento durou vários meses e as palavras do promotor Julius Grinnell mostravam o temor da burguesia e a manipulação para condenar os dirigentes operários:

“A lei está em julgamento. A anarquia está em julgamento. O júri escolheu e acusou estes homens porque eles eram os dirigentes. Eles não são mais culpados do que os milhares que os seguiram. Senhores do júri, condenem estes homens, deem-lhes um castigo exemplar, enforquem-os e salvem nossas instituições, nossa sociedade”.

August Spies, Adolf Fischer, George Engel e Albert Parsons foram cruelmente enforcados pelo Estado capitalista no dia 11 de novembro de 1887. Louis Lingg havia sido encontrado morto um dia antes em sua cela. Oscar Neeb, Michael Schwab e Samuel Fielden foram condenados à prisão perpétua.

Em suas últimas palavras, antes de ser enforcado, August Spies pronunciou com firmeza:

“A voz que vais sufocar será mais poderosa no futuro que quantas palavras pudesse eu dizer agora!”

Esses heróis representam o que precisamos atualmente para edificar uma grande jornada de lutas: coragem e determinação!

No julgamento, todos os heróis do povo trabalhador, inimigos da burguesia parasita, não abaixaram a cabeça, assim como não delataram qualquer companheiro nas sessões de tortura a qual foram submetidos. Um exemplo daqueles que morreram em nome da dignidade da classe trabalhadora, da igualdade social e da luta por uma sociedade onde não haja exploração. Morreram em nome da real liberdade!

August Spies: “Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário — este movimento do qual milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção —, se esta é a sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não podem apagá-lo.”

Albert Parsons: “Nos estados do sul eram meus inimigos os que exploravam os escravos negros; no norte, os que querem perpetuar a escravidão dos trabalhadores.”

George Engel: “Todos os trabalhadores devem se preparar para uma última guerra final que vai por fim a todas as guerras.”

Adolph Fischer: “Sei que é impossível convencer aos que mentem por ofício, os mercenários diretores da imprensa capitalista, que cobram por suas mentiras.”

Oscar Neebe: “Fiz o quanto pude para fundar a Central Operária e engrossar suas fileiras; agora é a melhor organização operária de Chicago, tem 10.000 filiados. É o que posso dizer sobre a minha vida operária.”

Louis Lingg: “O Estados Unidos é um país da tirania capitalista e do mais cruel despotismo policial.”

Michael Schwab: “Milhões de trabalhadores passam fome e vivem como vagabundos. Inclusive os mais ignorantes escravos do salário se põem a pensar. Sua desgraça comum leva-os a compreender que necessitam se unir e o fazem.”

Samuel Fielden: “Os operários nada podem esperar da legislação. A lei é somente um biombo daqueles que lhes escravizam.”

Em 1991, a segunda Internacional Socialista escolheu definitivamente o 1º de maio como Dia Internacional do Trabalhador, em homenagem aos ‘Mártires de Chicago’, como ficaram conhecidos os lutadores que deram a sua vida pelo fim da escravidão assalariada imposta pelo sistema capitalista, e pela necessidade da revolução, que se faz urgentemente indispensável para enterrar de vez a desigualdade social, a miséria, a exploração de classe, a fome, as mortes oriundas da luta de classes e o genocídio da população pobre e negra nas periferias do capitalismo.

Avante em direção à revolução!

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