Nesse texto elucidamos 5 fatos concretos que fundamentam a irracionalidade do sistema capitalista, bem como a sua insustentabilidade.

Irracional e insustentável, eis a natureza do sistema capitalista

1 – APROPRIAÇÃO PRIVADA DOS RECURSOS

A propriedade privada dos recursos e meios de produção no processo produtivo coloca o controle da produção e reprodução da vida material de toda a população nas mãos de poucos indivíduos, bem como divide a sociedade em proprietários dos meios de produção e força de trabalho, produzindo estruturalmente uma ordem econômica extremamente desigual, com distorções sociais discrepantes, como 8 pessoas terem o mesmo patrimônio que 3,6 bilhões (metade da população mundial). [1] O resultado inevitável é um nível de pobreza substancial, considerando que a força de trabalho passa a ser um mero custo de produção (quanto menor, maior o lucro) separado da propriedade, e por conseguinte todos os problemas sociais, como a fome, déficit habitacional, falta de saneamento, doenças, criminalidade, e a enorme quantidade de recursos naturais e financeiros despendidos para tentar “solucioná-los”.

2 – DESEMPREGO TECNOLÓGICO

O controle privado dos meios de produção, como dito no item 1, separa a força de trabalho da propriedade, colocando-a como um mero custo de produção, que passa a ser um entrave ao crescimento da taxa de lucro do capitalista, e portanto “deve” ser reduzido. A concorrência estimula a acumulação de capital, isto é, a expansão da empresa em bens concretos, lucro e patrimônio, impedindo a “estagnação”. Isso significa que ao longo do desenvolvimento tecnológico, objetivando reduzir o custo da mão de obra, a automação tende a causar um desemprego tecnológico estrutural. Segundo dados da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA, 99% das profissões tem possibilidade de serem automatizadas nos próximos anos. [2] A tecnologia não é o problema, a propriedade privada e o capitalismo, sim!

3 – QUEDA TENDENCIAL DA TAXA DE LUCRO

Na medida em que o capitalista investe na automação do trabalho visando aumentar a produtividade e reduzir custos trabalhistas, como explicado no item 2, pela própria dinâmica do capitalismo, ele cava a sua própria morte, pois quem consome as mercadorias e gera valor ao capital (permite que seja rentável), é justamente a remuneração do trabalho. Robôs não recebem salários, VR, VT, não possuem encargos trabalhistas, férias, etc, mas também não consomem, logo, a longo prazo se configura o que Marx chamou de queda tendencial da taxa de lucro, que é uma lei inerente ao capitalismo, inevitável. O capitalista quando investe na automação do trabalho aumenta o seu lucro de imediato, a curto prazo, mas quando os concorrentes fazem o mesmo para não perderem competitividade, quando a automação se generaliza, a oferta aumenta de forma desproporcional a demanda, criando uma crise de superprodução. Ou seja, a quantidade de mercadorias produzidas não pode ser consumida porque a demanda é insuficiente, gerando mais desemprego, tentativas de baratear ainda mais a mão de obra (transferência de fábricas para países com mão de obra barata) ou intensificar a exploração do trabalho via aumento da jornada.

4 – CONSUMO CONSPÍCUO

A riqueza concentrada nas mãos de poucos impulsiona o desperdício de recursos. Um exemplo concreto é a compra de um colar de diamantes por parte de uma mulher burguesa. Num mundo com recursos finitos e diversas possibilidades de utilização, não se pode enxergar de forma individualista o consumo pessoal, pois quando um diamante é utilizado de forma supérflua, apenas para satisfazer o ego de um indivíduo, necessariamente deixamos de utilizá-lo na computação quântica, no tratamento de câncer, em peças na indústria que facilitam a produção e aumentam a durabilidade; em suma, deixamos de investir em ciência, tecnologia e qualidade de vida!

5 – CRISE AMBIENTAL

Em decorrência de necessitar cada vez mais de altos níveis de consumo, sobretudo no atual cenário de crise de superprodução, o capitalismo produziu uma crise ambiental devastadora: o aquecimento global. Apenas a poluição urbana mata 7 milhões de pessoas por ano, totalizando 182 milhões de mortos desde 1990. [3] O degelo, que diminui a espessura do gelo Ártico em 10% a cada década, pode deixar 60 milhões de pessoas submersas nesse século. [4] Segundo o cientista James Lovelock, o capitalismo pode matar mais de 6 bilhões de pessoas até o final do século! [5] Além, evidentemente, do desperdício de recursos financeiros alocados para amenizar os efeitos da própria dinâmica do sistema capitalista.

Referências:

[1] http://g1.globo.com/economia/noticia/oxfam-critica-concentracao-indecente-de-riqueza-no-mundo.ghtml

[2] http://public.tableau.com/profile/mckinsey.analytics#!/vizhome/AutomationandUSjobs/Technicalpotentialforautomation

[3] https://nacoesunidas.org/poluicao-do-ar-nas-cidades-aumenta-8-e-mata-7-milhoes-de-pessoas-por-ano-alertam-agencias-da-onu/

[4] http://hypescience.com/aumento-do-nivel-do-mar-e-mais-perigoso-que-se-acreditava/

[5] http://rollingstone.uol.com.br/edicao/14/aquecimento-global-e-inevitavel-e-6-bi-morrerao-diz-cientista#imagem0

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