Uma nova investigação do Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (National Bureau of Economic Research) apresenta contundentes estatísticas que ilustram o impacto que a automação já está tendo sobre a força de trabalho, notando que a cada robô industrial introduzido entre 1990 e 2007, 6,2 vagas de trabalho foram eliminadas.

Automação cresce a cada dia

 O real impacto da automação

Poucos assuntos são atualmente tão controversos quanto o potencial impacto da automação sobre o emprego. Alguns, como o secretário do tesouro estadunidense Steven Mnuchin, acreditam que nós não precisamos ficar preocupados, enquanto outros alegam que nós já estamos no início da maior transformação da força de trabalho desde a 1ª Revolução Industrial.

Agora, um novo trabalho lançado pelo Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (NBER) dimensiona o tamanho da ameaça da automação: cada robô industrial acrescentado à força de trabalho entre 1990 e 2007 coincidiu com a eliminação de 6,2 empregos. Salários também sofreram uma leve queda entre 0,25% e 0,50% a cada 1.000 trabalhadores substituídos por robôs.

Os autores do relatório, os economistas Daron Acemoglu, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Pascual Restrepo, da Universidade de Boston, preveem que nós podemos ver uma queda de 0,94 a 1,76% na taxa de disponibilidade de emprego para a população por volta de 2025. Nessa época, a agência de censos estima que a população dos Estados Unidos atingirá 347,3 milhões. Isso significa que entre 3,3 e 6,1 milhões vagas podem ser perdidas para a automação.

Olhando para o futuro

No total, grosseiramente falando, 670.000 empregos de manufatura foram perdidos para robôs durante o período de estudo, um número que se espera que apenas suba já que mais e mais companhias estão visando a automação como uma forma de melhorar as operações e diminuir custos de produção.

A firma de consultoria PriceWaterHouseCoopers já está prevendo a perda de 30% dos trabalhos no Reino Unido para a automação. Uma investigação à parte conduzida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) averiguou que 137 milhões trabalhadores ao longo de vários países do sul asiático estão em risco de serem substituídos por sistemas automatizados nos próximos 20 anos. Especialistas acreditam que isso irá atingir também profissões mais qualificadas, uma visão suportada pelas recentes notícias de que a maior empresa de gerenciamento de dinheiro está demitindo 13% de seus gerentes de carteira devido à automação.

Acrescente a previsão do Departamento de Censos à sempre crescente lista de estudos que veem robôs substituindo a força de trabalho e a ameaça da automação se torna, de fato, real. Mesmo cenários mais modestos visualizam o número de robôs industriais triplicando pelos próximos 10 ou 20 anos.

Dito isso, é perceptível que o capitalismo não suporta elevados níveis de automação, na medida em que o aumento da produtividade, e por conseguinte da quantidade de mercadorias produzidas, entra em contradição com a queda permanente do consumo, já que um número cada vez maior de trabalhadores é desempregado e/ou redirecionado para subempregos informais com remuneração menor. Emerge nesse contexto uma crise de superprodução, ocasionando a queda da arrecadação do Estado e das empresas, mais desemprego, precarização, medidas de austeridade, endividamento e depressão econômica.

Se faz necessário portanto transformar o modo de produção, de maneira que os trabalhadores sejam donos das máquinas, e não mera força de trabalho empregada por alguns poucos capitalistas.

Fonte: https://futurism.com/new-study-finds-that-six-jobs-are-lost-for-every-robot-added-to-the-workforce/

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