Tema do Fórum Econômico Mundial em 2016, a Nova Revolução Industrial, segundo o presidente do Google, Larry Page, substituirá 90% do trabalho humano em poucos anos [1], sendo 5 milhões de empregos apenas nos próximos 5 anos, segundo estudo moderado do Fórum Econômico Mundial. [2]

Robô-garçom na China

Podemos definir essa revolução como um período de singularidade tecnológica cujo potencial pode alterar completamente a estrutura produtiva mundial e agravar a contradição vigente entre relações de produção e forças produtivas, tendo portanto um caráter disruptivo, transformador e estrutural. Seus principais pilares são a Robótica Avançada, Fontes Renováveis de Energia, Internet de Todas as Coisas, Inteligência Artificial, Fabricação Aditiva e Nanotecnologia.

Desde peças, produtos, casas, prédios e demais estabelecimentos fabricados por impressoras 3D cada vez mais utilizadas na indústria 4.0, a robôs assistentes residenciais, atendentes virtuais e reais imbuídos de inteligência artificial, transportes autônomos, softwares de administração, advocacia e saúde, fontes de energia renováveis e gratuitas (energia solar), serviços digitalizados, até nanofabricadoras que podem produzir absolutamente tudo, uma vez que estejam em seu estágio mais avançado. Confira a seguir as principais tecnologias da Nova Revolução Industrial:

Robótica Avançada: cada vez mais sofisticada, a robótica permite a criação de robôs nos mais diversos ramos, desde robôs industriais nas linhas de produção de quaisquer produtos, até “humanoides” em serviços de assistência, atendimento e realização das mais diversas tarefas! Em conjunto com outras tecnologias, pode abolir diversas funções exercidas por humanos.

Fontes Renováveis de Energia: dentre vários tipos de energia renovável, devemos destacar a Energia Solar, que certamente é a principal e mais disruptiva na atualidade, pois uma vez instalada a sua infraestrutura, pode ser captada de forma gratuita. Não há um preço na sua produção, logo, pode ser disseminada para a eletrificação de quaisquer produtos/serviços de forma coletiva, rompendo com a lógica da propriedade privada do capitalismo. Além disso, é móvel e tem caráter descentralizador.

Internet  de Todas as Coisas: essa expressão aborda a ‘conexão e interatividade das coisas’, do espaço físico, e não apenas virtual. Os objetos passam a se comunicar de forma inteligente, informando possíveis necessidades e compartilhando em tempo real praticamente tudo que for ! Na prática, isso significa a existência de objetos inteligentes, que não necessitam de intervenção humana para interligarem-se entre si. Segundo o instituto Frost&Sullivan, 50 bilhões de dispositivos estarão conectados até 2020!

Inteligência Artificial: sistemas computacionais imbuídos de inteligência e capazes de pensar como os seres humanos, mas com potencial muito maior, assim podemos definir a IA. Um exemplo é o sistema de Machine Learning (Aprendizagem de Máquinas), que se refere a uma vasta  gama de algoritmos e metodologias  que permitem que softwares melhorem seu desempenho a medida que obtém mais dados e informações, que podem ser assimilados através do contato tanto com humanos quanto com dados previamente fornecidos. O sistema Watson da IBM é uma boa referência, trata-se de um supercomputador que, dentre outras funcionalidades, consegue fazer diagnósticos precisos de doenças a partir de uma super base de dados com informações, artigos científicos e tendências, em alguns minutos, ao passo que com cada nova informação, tanto dos pacientes quanto da base de dados, o sistema se aperfeiçoa tal qual um médico profissional. Nesse sentido, a inteligência artificial pode “aprender” qualquer atividade!

Fabricação Aditiva (Impressão 3D):  tem a potencialidade não só de produzir praticamente  tudo e destruir a indústria tradicional, mas de abolir a divisão do trabalho, unificando as cadeias produtivas e eliminando a necessidade de trocas, descentralizar radicalmente a produção, eliminar o trabalho e tornar completamente obsoletas as relações de produção capitalistas, baseadas no princípio da propriedade privada.

Nanotecnologia: a tecnologia responsável pela manipulação do menor pedaço da matéria. Para se ter uma ideia, 1 nanômetro é 1 bilhão de vezes menor que 1 metro. A função principal dessa tecnologia é portanto manipular, produzir e investigar em escala nanométrica (atômica e molecular), miniaturizando produtos, construindo tudo a partir do menor elemento. Nesse sentido, essa tecnologia tem o potencial de reorganizar a matéria em seu estado atômico e molecular, precisando apenas dos elementos químicos como matéria-prima.

Essas novas tecnologias atuando em conjunto podem automatizar completamente qualquer trabalho humano, intensificando cada vez mais a crise de superprodução atual, na medida em que o desemprego tecnológico decorrente reduz a capacidade de consumo da população (num cenário de estagnação econômica mundial), impactando na taxa de lucro do empresariado e colocando em cheque a existência do sistema capitalista!

Referências:

[1] http://exame.abril.com.br/tecnologia/substituir-homens-por-robos-e-inevitavel-diz-larry-page/

[2] http://www.infomoney.com.br/carreira/emprego/noticia/4527461/forum-economico-mundial-preve-que-robos-eliminarao-milhoes-empregos-ate

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