O capitalismo possui várias formas de obter lucro, da mais simples até a mais absurda. Um dos instrumentos utilizados pela superestrutura burguesa para manter sua hegemonia é a religião. A religião a princípio deve ser um assunto privado, ou seja, não deve estar atrelada aos assuntos do Estado e políticos em geral, pois não apresenta nenhum perigo para a classe trabalhadora, já que qualquer pessoa sente a necessidade de buscar explicações para o que vai além da compreensão humana. Entretanto, enquanto associada ao Estado burguês, como um instrumento de alienação, deve ser combatida.

A religião como instrumento de dominação significa alienar a classe explorada de modo que a mesma aceite sua exploração. Muitas das entidades religiosas, tais quais que representam os interesses da burguesia, possuem um grande poder aquisitivo, enquanto seus fiéis vivem em uma situação bem diferente. Oferecem uma falsa salvação, condicionando-os a acreditarem que devem aceitar a ética e a moral da sociedade capitalista, que necessitam resignar-se perante a desigual e exploratória ordem social burguesa e, apenas assim, poderão receber a salvação eterna e pós-vida, sob o perigo de se contrapor à determinações divinas, em caso de subversão e desobediência. A classe trabalhadora submissa à religião dentro do sistema capitalista possui uma premissa de que as coisas só acontecem no tempo de Deus, quando Deus quer e, dessa forma, automaticamente acaba por aceitar sua situação como explorada e não se rebela contra tal. Um exemplo claro disso é a doutrina religiosa chamada “Teologia da Prosperidade”, cujo pressuposto é de que a melhora financeira é uma bênção de Deus e, portanto, só pode vir através da fé, de doações, dízimos, etc.

Teologia da Prosperidade: reprodução da ideologia burguesa

A classe trabalhadora com consciência de classe, sem estar submissa a nenhum tipo de dominação, principalmente a religião, representa uma ameaça imensa para o sistema capitalista, pois a permanente sustentação do sistema depende inexoravelmente da opressão e exploração de classe. Os trabalhadores e trabalhadoras quando não submissos à religião, corroboram suas posições como força motriz e donos da sociedade, já que não aceitam mais a exploração como justificativa de salvação eterna e, por conseguinte, se rebelam contra a minoria dominante, desestabilizando a mesma. A religião para a burguesia é de suma importância não só para manter os oprimidos anestesiados, dominados e escravizados, como também torna-se um mercado de grande valor, com poder enorme de obter considerável quantidade de lucro e acumular capital. Obviamente que há outros meios de dominação ideológica, entretanto, a religião é de fato um dos principais.

Como disse muito bem Lenin:

“A exploração econômica dos operários causa e gera inevitavelmente todos os tipos de opressão política, de humilhação social, de embrutecimento e obscurecimento da vida espiritual e moral das massas. Os operários podem alcançar uma maior ou menor liberdade política para lutarem pela sua libertação econômica, mas nenhuma liberdade os livrará da miséria, do desemprego e da opressão enquanto não for derrubado o poder do capital. A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda a parte sobre as massas populares, esmagadas pelo seu perpétuo trabalho para outros, pela miséria e pelo isolamento. A impotência das classes exploradas na luta contra os exploradores gera tão inevitavelmente a fé numa vida melhor no “pós-vida” como a impotência dos selvagens na luta contra a natureza gera a fé em deuses, diabos, milagres, etc.”

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