A crise econômica mundial não foi capaz de barrar a ousadia de latifundiários e transnacionais agrícolas no tocante à devastação ambiental. Apesar da queda do preço de commodities, como soja, algodão e minério de ferro, o setor agroempresarial e minerador não diminuiu o ritmo de apropriação de terras, expulsão de comunidades tradicionais e contaminação de solos e bacias. Os casos mais graves estão localizados no sudeste do Pará – onde se soma à intensa destruição ambiental provocada pela mineração em larga escala – e no oeste da Bahia.

Agronegócio a todo vapor desmatando o Brasil

Além do Pará, os casos mais graves encontram-se na região de Cerrado dos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, no qual menos de 10% da vegetação nativa ainda permanece intacta. Tal região foi selecionada para a instalação de projetos agrícolas monocultores de milho, algodão e soja, entrando em conflito, diretamente, com comunidades indígenas, quilombolas e rurais que lá moravam desde antes do século 19.

A proximidade com diversos portos, a mão-de-obra barata e o clima atraíram grandes empresas que, aliadas aos incentivos fiscais e a “coronéis” da região, puderam se instalar, atacando a natureza e a população já existente nessa região. Ocupou, ainda na década de 1970-80, a região oeste da Bahia, conhecida entre a população local como “além do São Francisco”, depois expandindo-se até a fronteira meridional Pará-Maranhão. A partir daí, novos nomes do latifúndio regional ganharam projeção nacional, como o da latifundiária tocantinense Kátia Abreu, uma das maiores defensoras da política de agronegócio impulsionada com recursos públicos.

O sudeste paraense, conhecido como “Carajás”, recebe os ataques tanto do latifúndio quanto da mineração. O trecho de estrada localizado entre os municípios de El Dorado dos Carajás e Xinguara, de aproximadamente 250 quilômetros, está em uma situação de semidesertificação, ocasionada após a falta de chuvas, os incêndios criminosos e a expansão da agropecuária na região. El Dorado, Canaã dos Carajás e Parauapebas são municípios que possuem megaprojetos mineradores, em especial do ferro e do ouro, com atividades 24 horas por dia, sete dias por semana, ou seja, uma ininterrupta exploração do solo.

Nem o desastre ambiental de 2015 no município mineiro de Mariana fez a Vale paralisar suas atividades na região para levantamento das condições ambientais nas áreas de extração mineral. São 14 empreendimentos, no total, extraindo cobre, níquel e outros minérios, todos de propriedade da Companhia Vale, alguns já implantados, outros em implantação. Um dos empreendimentos, de extração e beneficiamento de níquel, chamado Onça Puma, em sete anos de atividade contaminou com metais pesados o rio Cateté e inviabilizou a vida dos cerca de 1.300 indígenas da tribo Xikrin, entre as cidades de Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Parauapebas.

A busca, a qualquer custo, do lucro máximo, têm gerado verdadeiras atrocidades contra a fauna, os rios, as florestas e as comunidades tradicionais. Diversas tribos e comunidades quilombolas, junto a movimentos de trabalhadores rurais, como MST e Fetagri, aumentam a cada dia suas ações de resistência contra a política do agronegócio e do controle empresarial da zona rural, historicamente pertencente ao povo, mas que vem sendo roubada há séculos, primeiro pelos coronéis, hoje pelas transnacionais. Apenas a intensa combatividade da classe trabalhadora, rural e urbana, porá fim à espoliação de nossas riquezas e trará dignidade ao nosso povo.

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