Com a estratégia de atender seus clientes de forma cada vez mais digital, visando reduzir custos para aumentar a competitividade e a taxa de lucro, o banco presidido por Roberto Setubal tem planos de fechar 15% de suas atuais quatro mil agências físicas no País nos próximos três anos; em dez anos, metade do total das ‘agências tijolo’, como chama a instituição, deverá ser extinta; resultado pode levar à demissão, em uma década, de metade dos 60 mil funcionários que atualmente trabalham em agências, ou seja, 30 mil cortes.

Se os(as) trabalhadores(as) são os próprios patrões, não tem demissões!

Essa dinâmica não se resume ao Itaú: apenas em 2015, os bancos fecharam 9.886 postos de trabalho, de acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB), divulgada pela Contraf-CUT. O número quase dobrou em relação a 2014, quando foram fechados 5.004 empregos no setor bancário, representando um avanço de 97,6%.

As grandes instituições, como Itaú, Bradesco, Santander, HSBC e Banco do Brasil, continuam sendo os principais responsáveis pelo saldo negativo. Eles eliminaram 7.248 empregos em 2015 (73% do total). Na Caixa, foram fechados 2.497 postos de trabalho no período (25%).

O jornal Valor Econômico publicou uma matéria sobre o futuro das agências bancárias na era digital. A transformação chegará a mais de 20 mil agências em todo o país em poucos anos e, entre as mudanças estão a redução do espaço físico e postos de atendimento sem guichê de caixa tradicional, sendo substituídos pelo ‘Internet Banking’, como pretende o Digitaú, e telas de autoatendimento, na qual o cliente pode efetuar tudo que precisar, desde o recebimento de senha até o pagamento e abertura de contas.

Não há como frear tal processo, por mais que os bancários organizem greves sucessivas, a busca por redução de custos e permanente expansão do lucro é inerente ao capitalismo e, num contexto de tecnologias que permitem acelerar e facilitar essa tendência, o problema se agrava. Não obstante, os bancários devem lutar não pela estagnação tecnológica, mas sim pela propriedade do sistema bancário. Se a categoria é proprietária dos bancos e de todas as suas máquinas, a evolução tecnológica não gera desemprego, já que o(a) trabalhador(a) passa de mera força de trabalho e custo de produção, a dono(a) dos meios de produção, trabalhando menos, ganhando mais e, fundamentalmente, produzindo para si próprio(a), não para edificar a riqueza de parasitas.

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