Muitos alegam que o principal motivo da população não protestar em Cuba ou na Coreia do Norte, é pelo fato de serem “ditaduras” sanguinárias, e por conseguinte, existir um medo social generalizado de edificar uma insurreição contra tais governos. Além de tudo, ambos os países, de acordo com a alegação dos críticos, são altamente burocráticos e não governam para a população, mas sim para eles mesmos, onde supostamente surge uma nova classe dentro do Estado, a classe dos burocratas do partido, contra a classe trabalhadora. Nesse sentido, antes de tudo é preciso deixar claro que, sob a ótica marxista, os conceitos de ‘ditadura’ e ‘democracia’ não estão desassociados do caráter de classe, isto é, diante de uma sociedade baseada na propriedade privada, dividida entre proprietários dos meios de produção (grande empresariado) e classe trabalhadora (proletariado), onde a primeira explora a segunda, é impossível subsistir uma liberdade abstrata. No capitalismo, vivemos numa permanente ditadura para os trabalhadores e, inversamente, uma real democracia para a burguesia. O socialismo é antagônico a essa dinâmica, a democracia se dá para a classe trabalhadora, e a ditadura para a burguesia parasitária; daí o conceito ‘ditadura do proletariado’.

Praça da Revolução, em Cuba e Centro de Pyongyang, na Coreia do Norte

Historicamente, essas alegações referentes a um cenário de repressão e opressão contra o povo cubano e norte coreano não se sustentam. Nenhuma “ditadura” esteve alguma vez imune a protestos, todas vivenciaram revoltas sucessivas e sangrentas, a população nunca permaneceu inerte. Na ditadura empresarial-militar brasileira, por exemplo, protestos e greves eram frequentes, tanto pacíficos, de estudantes  e operários, quanto mais radicais, como grupos de guerrilha que queriam derrubar o regime, e devido a isso muitas pessoas eram torturadas e assassinadas das formas mais cruéis possíveis pelos militares. Um dos movimentos mais conhecidos durante esse período foi a “Passeata dos Cem Mil”, que ocorreu em 28 de Junho de 1968 na cidade do Rio de Janeiro, reunindo centenas de milhares de pessoas. A ditadura chilena de Pinochet que, talvez tenha sido mais sangrenta do que a brasileira, também sofreu inúmeros protestos por parte da população. Centenas de pessoas foram executadas em ambos os casos, que possuem em comum principalmente a alta repressão e tortura contra qualquer indivíduo que ousasse criticar o governo. Estes foram apenas dois exemplos, mas há vários outros, e em todos eles a população nunca ficou inerte, sempre protestou e fez greves, mesmo que violentamente reprimida em decorrência. Além de tudo, a maioria dessas ditaduras nunca duraram muito tempo, pois sempre houve, de uma forma ou de outra, algo que travasse esse cenário sangrento por parte dos governos.

Em Cuba e Coreia do Norte raramente ocorrem protestos. Se houvesse realmente um regime ditatorial e opressor contra a população, assim como nos exemplos citados acima, obviamente aconteceriam diversos atos com grande regularidade e participação popular e, muito provavelmente, verificaríamos grupos ativos de guerrilhas fazendo de tudo para derrubar o governo.

Os dados de organizações como ONU, UNESCO, UNICEF, WWF, etc deixam claro que Cuba possui índices sociais altíssimos, onde mesmo sendo um país pobre em recursos naturais, que sofre com um bloqueio histórico criminoso dos EUA, consegue proporcionar educação e saúde gratuita e de qualidade para toda a população. A Coreia do Norte é mais fechada e não tem muitos dados divulgados, porém devido ao seu grande poderio militar e a aparência de suas cidades, mostra que de miserável o país não tem nada e, mesmo passando por dificuldades econômicas devido a sanções dos EUA e da ONU, bem como problemas naturais como a baixa extensão de terra cultivável (80% do país é montanhoso), também garante direitos básicos, como emprego, moradia, alimentação, educação, saúde e segurança para toda a população.

Portanto, mesmo que insistam em afirmar que essas nações são ditaduras sanguinárias que oprimem o povo, os dados e a própria atitude da população perante a situação mostram o contrário, já que nunca, mesmo nos mais cruéis regimes, houve resignação popular. O que se verifica claramente é uma absurda difamação e manipulação por parte da mídia ocidental e burguesa quando refere-se a ambos os países que, mesmo sob ataques do imperialismo, resistem bravamente em nome da soberania nacional e de classe, objetivando o desenvolvimento ininterrupto do socialismo.

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *