A poluição urbana é pouco enfatizada pela mídia burguesa, dada a sua relação direta com a dinâmica de funcionamento do capitalismo. Infelizmente, milhões de vítimas passam despercebidas, como se suas mortes fossem ‘naturais’.

Na busca por permanente crescimento econômico, mediante aumento da produção e do consumo, o capitalismo produziu uma crise ambiental estruturalmente catastrófica para o planeta e a humanidade. Sem dúvida alguma, o aquecimento global, isto é, a elevação da temperatura do planeta, gerando mudanças climáticas frequentes, produzida por meio de um aumento da emissão de gases-estufa (CO2, CH4, N2O, SF6 e HFCs) na atmosfera, é a base dessa crise ambiental. A distribuição da emissão de poluentes se dá da seguinte forma: pela geração de eletricidade não renovável, como a queima de carvão, petróleo e gás natural (24,9%), indústria (14,7%), transportes com combustíveis não-renováveis (14,3%), agricultura (13,8%), mudanças no uso do solo, como o desmatamento (12,2%), outros combustíveis (8,6%), processos industriais (4,3%), produção de lixo (3,2%) e emissões de gases provenientes de equipamentos de pressão (4%). A maior parte desse aquecimento ocorreu nas últimas três décadas. Segundo cientistas da NASA e da NOAA, 2014 foi o ano mais quente do planeta desde 1880. Não por acaso, os 10 anos mais quentes já registrados, com exceção de 1998, ocorreram desde 2000. [1] Dentre os efeitos mais perversos da crise ambiental do capitalismo, está a poluição do ar, responsável por diversas doenças e milhões de mortes.

Poluição do ar em São Paulo

A contaminação do ar por resíduos tóxicos oriundos das atividades econômicas inseridas no capitalismo, causam graves efeitos a humanidade, sobretudo aos que que vivem em grandes centros urbanos. Diversas doenças são ocasionadas pela poluição do ar, dentre elas derrames e ataques cardíacos, segundo um estudo da Universidade de Edimburgo.

Uma análise de estudos extensa descobriu que a exposição à poluição do ar, mesmo que por apenas um dia, aumenta de forma significativa o risco de derrame. Os pesquisadores reuniram dados de 103 estudos envolvendo 6,2 milhões de internações e óbitos por derrame de 28 países. Publicada no periódico BMJ, a análise descobriu que todas as substâncias poluidoras, com exceção do ozônio, estavam associadas ao aumento do risco de derrame. Além disso, o número de derrames aumentou com o aumento dos níveis de poluição. [2]

Já um outro estudo do Instituto Max Planck de Química, mostra que a poluição do ar contribui para a proliferação de doenças alérgicas:

“A pesquisa revelou que o ozônio troposférico oxida um aminoácido que desencadeia reações químicas responsáveis por alterar a estrutura das proteínas alergênicas. Já o NO2 modifica a capacidade de ligação de alguns alérgenos. A ação conjunta dos dois gases é responsável por fazer com que os alérgenos provoquem reações no corpo humano com mais facilidade, sobretudo em ambientes úmidos ou poluídos.“ [3]

Doenças respiratórias também estão relacionadas a poluição:

“Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprova que o acúmulo de partículas e gases nocivos lançados na atmosfera estão provocando doenças respiratórias pré-existentes e podem aumentar o índice de infecções das vias aéreas superiores e pneumonia nos paulistanos, em diferentes faixas etárias. O objetivo do estudo foi avaliar a relação entre a concentração diária dos poluentes atmosféricos emitidos pela frota automotiva na cidade de São Paulo e o número de consultas diárias realizadas no serviço de emergência do Hospital São Paulo, ligado à Unifesp e localizado na Vila Clementino, zona sul da capital. Durante três anos, o levantamento analisou 177.325 casos. A grande maioria (137.530 atendimentos, ou 77,5%) foi por doenças respiratórias. Os dados foram fornecidos pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatísticos (Same) da Unifesp, ligado ao Hospital São Paulo. Desse total, 72% das ocorrências eram infecções de vias aéreas superiores (sinusite, faringite, nasofaringites e amidaglite), 12% eram influenza (gripes em geral), 9%, pneumonia e 7%, asma.” [4]

Ao redor do mundo, a poluição do ar mata 7 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS. [5] E o Brasil, enquanto integrante do sistema-mundo capitalista, está no mapa da poluição urbana. Apenas nos 2 maiores centros industriais-urbanos, RJ e SP, mais de 135 mil morreram em 6 anos devido a doenças causadas pela poluição do ar, segundo o Instituto Saúde e Sustentabilidade.

“Risco de doenças respiratórias, risco de infarto, as grávidas são muito suscetíveis, as crianças, os idosos. Você tem uma população enorme exposta. Mesmo os saudáveis acabam inalando uma grande quantidade de substancias químicas que são nocivas à saúde”, alerta Hermano Albuquerque de Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. [6]

Referências:

[1] http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-do-clima/2015/01/16/nasa-e-noaa-confirmam-que-2014-foi-o-ano-mais-quente-veja-video/

[2] http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/the-new-york-times/2015/04/06/poluicao-do-ar-aumenta-risco-de-derrame.htm

[3] http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estudo-revela-por-que-poluicao-aumenta-numero-de-alergicos-15672054

[4] http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,poluicao-do-ar-piora-doenca-respiratoria-e-aumenta-infeccao-diz-unifesp,630692

[5] http://noticias.terra.com.br/ciencia/poluicao-do-ar-mata-7-milhoes-de-pessoas-por-ano-diz-oms,1ba6b5102afe4410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

[6] http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2014/10/estudo-revela-impacto-da-poluicao-na-saude-de-moradores-do-rj-e-de-sp.html

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