É indispensável entendermos as razões pelas quais apenas uma revolução pode nos salvar da barbárie do capitalismo decadente, bem como o processo necessário para construí-la de forma vitoriosa.

Precisamos emergencialmente de uma grande revolução popular!

Por quê revolução, ao invés de reformas?

Não há nenhuma possibilidade de se chegar ao comunismo, e por conseguinte a plenitude da capacidade científica, tecnológica e social, pelas vias da democracia burguesa, isto é, disputando e ganhando eleições em todas as esferas da república sob o modo de produção burguês, ou caminhando gradativamente através de reformas. O Estado sob a sociedade capitalista sempre será o “comitê executivo da burguesia”, como dizia Marx, foi engendrado pelas classes dominantes pré-capitalistas e reformulado pela burguesia, sempre tendo em vista os interesses daqueles que controlam a propriedade dos meios de produção. Eles financiam as campanhas eleitorais, dominam a disseminação da comunicação e de todo e qualquer aparelho de poder sob a forma mercadoria de produção, sobretudo num cenário de capitalismo-monopolista, onde poucos bancos e transnacionais detém a maior parte do capital. Portanto esse Estado não pode representar a classe trabalhadora, pode-se eleger um ou outro representante dos trabalhadores, mas isso seria como trocar o gerente de uma empresa, não dar a sua gerência e propriedade aos funcionários. O grande erro do lulo-petismo foi ter direcionado todo o capital político adquirido na intensa luta de classes nas décadas de 70 e 80, que culminou na criação da CUT, PT e MST, para a disputa eleitoral dentro da democracia burguesa, desprezando a luta revolucionária e capitulando a direção da vanguarda do movimento dos trabalhadores, burocratizando-o mais tarde. O “golpe” que o governo petista sofreu, patrocinado por praticamente todas as entidades patronais, foi apenas uma demonstração de como a institucionalidade sob o regime capitalista serve a burguesia. Quando necessário, sempre utilizarão de todo seu aparato para boicotar qualquer governo que atente contra seus interesses, mesmo que tal contradição seja mínima.

Em suma, não há como transitar para outras relações de produção, submetendo-se a jurisdição que se pressupõe combater, ou seja, não há como modificar o modo de produção dentro de um instrumento coercitivo criado para mantê-lo a qualquer custo, através de uma complexa ordem jurídica.

Como organizar a revolução?

Evidentemente, ainda não temos as condições subjetivas necessárias para fazer uma revolução. Mas temos todas as condições necessárias para construí-la, de forma eficiente e vencedora, sob inerente protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras, a partir de um processo de intensa aglutinação, conscientização, lutas diárias e edificação de um campo de classe muito bem definido, associado aos interesses de todas as massas oprimidas, esmagadas pelo sistema econômico que nos foi imposto pela burguesia e o imperialismo. A seguir, alguns preceitos básicos indispensáveis no engendramento da revolução.

Revolução de massas

A revolução brasileira deve se pautar na consideração primordial de que vivemos sob uma extensão territorial e conjunto populacional enorme, de grande diversidade cultural, religiosa, étnica e sob domínio das classes dominantes (banqueiros, latifundiários e industriais nacionais e internacionais), que determinam por meio da mídia burguesa o que os trabalhadores devem consumir como informação. Compreendido esse primeiro ponto, é visível que necessitamos de uma revolução de massas, dirigido por um partido/movimento revolucionário, mas executado pelas classes trabalhadoras, sobretudo o operariado, campesinato e “precariado” (trabalhadores mais precarizados), em aliança com a juventude combativa e estudantil. Dentro desse contexto, não podemos nos espelhar em experiências revolucionárias de sucesso em países com características geográficas diferentes, como Cuba, onde uma guerrilha revolucionária, sem ligação direta com as massas, pôde obter êxito e tomar o poder econômico e político. Tampouco podemos repetir os erros dos bravos combatentes assassinados pelo regime militar, camaradas de grande valor que perdemos por equívoco estratégico. Sem base social nas classes trabalhadoras, jamais construiremos a revolução brasileira e nos livraremos da exploração e barbárie capitalista. Revolução dos trabalhadores guiada pelo partido/movimento revolucionário!

Frente revolucionária

Como todos devem perceber, estamos diante de uma enorme crise de direção do movimento da classe trabalhadora, em decorrência do projeto equivocado do PT em substituir a luta de classes pelos conchavos políticos, pela governabilidade e acordos de gabinete. O resultado prático dessa ação desastrosa, foi a desmobilização, desorganização e fragmentação da classe trabalhadora e burocratização de seus movimentos e sindicatos de vanguarda nos últimos anos. Não há outra saída para a reorganização e redirecionamento revolucionário da classe trabalhadora senão por meio da reestruturação de sua vanguarda revolucionária e, para tal, se faz necessária a criação de uma frente composta pelo movimento comunista combativo, que deve deixar pequenas diferenças de lado e unir-se em torno do programa de transição necessário para emancipar os trabalhadores e orientá-los quanto ao seu objetivo histórico inadiável: a revolução socialista! Portanto, fazemos um chamado a todos os movimentos verdadeiramente comunistas: unidade de ação para aproximar os trabalhadores da revolução!

Aliança entre operário e camponês

A união dos pequenos camponeses e operários agroindustriais, junto a classe operária urbana, é de fundamental importância no êxito da revolução. Os interesses de cada fragmento da classe trabalhadora do campo e da cidade devem ser aglutinados em torno do programa de transição 1. Os pequenos agricultores serão contemplados com crédito e transporte baratos, os proletários e camponeses desempregados ganharão a posse da terra, inseridos em grandes cooperativas agrárias que abastecerão os operários da cidade e que, por sua vez, terão o controle das fábricas e renda suficiente para alimentar a si e suas famílias. Devemos buscar o diálogo junto as bases do MST, LCP e demais movimentos camponeses para inseri-los na frente revolucionária e mantê-los sob permanente aliança com o operariado urbano e demais trabalhadores.

Aproximar os trabalhadores da revolução

“A tarefa estratégica do próximo período – período pré-revolucionário de agitação, propaganda e organização – consiste em superar a contradição entre a maturidade das condições objetivas da revolução e a imaturidade do proletariado e de sua vanguarda (confusão e desencorajamento da velha geração, falta de experiência da nova). É necessário ajudar as massas, no processo de suas lutas cotidianas a encontrar a ponte entre suas reivindicações atuais e o programa da revolução socialista. Esta ponte deve consistir em um sistema de REIVINDICAÇÕES TRANSITÓRIAS que parta das atuais condições e consciência de largas camadas da classe operária e conduza, invariavelmente, a uma só e mesma conclusão: a conquista do poder pelo proletariado.”

Trotsky escreveu algo que deveria ser perceptível aos olhos de toda a esquerda revolucionária: é necessário aproximar os trabalhadores da revolução por meio de suas reivindicações mais exigidas! Se o operário está sendo demitido, devemos orientá-lo a ocupar a fábrica, se quer um salário digno, devemos trabalhar em torno dessa exigência, se o trabalhador mais precarizado não está conseguindo pagar o aluguel ou sequer tem onde morar, precisamos oferecer-lhe a moradia popular a custo zero como medida essencial de nosso programa de transição 1, se os camponeses desempregados querem terra para produzir, a distribuição de terras será feita. Dessa forma aglutinaremos os trabalhadores em torno de seus interesses, mostrando o caminho para a conquista dos mesmos, que passa inevitavelmente pela tomada dos meios de produção e do poder político.

Base da organização cronológica da revolução

* Construção de um Programa de Transição socialista que contemple todas as necessidades da classe trabalhadora e das massas oprimidas em geral;

* Criação de material para panfletagem e um jornal dos trabalhadores;

* Trabalho de diálogo, convencimento, panfletagem e distribuição do jornal dos trabalhadores em fábricas, assentamentos, cooperativas, agências de emprego, favelas, periferias, áreas de grande concentração popular e locais de trabalho;

* Ação coordenada de ocupação e auto-gestão de fábricas falidas, com dificuldade econômica ou ociosas. Criação de conselhos operários democráticos como forma de gerenciamento;

* Ação coordenada de ocupação de grandes latifúndios. Conselhos camponeses e auto-gestão democrática;

* Ação coordenada de ocupação de terrenos urbanos ociosos, destinados a especulação imobiliária. Criação de conselhos de moradia democráticos;

* Formação política e consciência de classe através da atividade prática junto ao aprofundamento teórico nas fábricas, terrenos urbanos e terras ocupadas, bem como o planejamento de bloqueios, protestos e demais ações de conhecimento privado aos membros do partido, frente e movimentos participantes de tal processo, objetivando a conquista do poder político.

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