A CNH Industrial apresentou esse ano o modelo de trator sem cabine e operado totalmente à distância da marca Case. O trator com motor a diesel de 380 cavalos e design futurista é “pilotado” externamente, via monitoramento. Traz tecnologias já existentes em outros modelos da marca, como sensores, radar e câmeras, além de sistemas de comunicação com outras máquinas e implementos.

Automação no campo caminha a passos largos

Até agora, essa integração entre equipamentos foi testada apenas com produtos da própria Case. No entanto, os executivos afirmaram que a intenção é adotar o conceito de plataforma aberta, já que máquinas de diferentes marcas se comunicam cada vez mais. A promessa é de um trator que pode trabalhar durante 24 horas se necessário, executando tarefas em todas as fases da produção.

“Esse trator não é apenas um exercício de estilo. Estamos mostrando uma máquina que é funcional. É como deve ser a agricultura do futuro”, garantiu Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH, empresa do grupo CNH Industrial.

Na visão da companhia, tornar os equipamentos mais autônomos é um processo que envolve cinco etapas. A primeira, já superada, é a da direção, fazendo a máquina ir sozinha de um ponto a outro. A quinta seria a automação total: um equipamento que se movimenta sozinho e gerencia o trabalho no campo sem uma supervisão externa.

O trator conceito da Case estaria, segundo os executivos, no quarto estágio: faz as tarefas automaticamente, mas ainda depende de um controlador humano monitorando operações pré-programadas, mesmo de longe. Caminhos percorridos e parâmetros utilizados podem ser supervisionados e ajustados de forma remota a qualquer momento.

Os representantes da empresa informaram que o projeto do trator autônomo envolveu profissionais em várias partes do mundo, incluindo o Brasil. A participação brasileira enfatizou um eventual uso em plantações de cana-de-açúcar e em fazendas onde há frotas maiores de maquinário.

“Não há país onde as características desse trator possam ser tão bem aproveitadas quanto o Brasil. Há grandes produtores, grandes áreas e busca por eficiência. Acredito que pode chegar aqui antes de outras regiões”, afirmou Mirco Romagnoli.

Projeto-piloto

Neste ano, a empresa fará dois projetos-piloto nos Estados Unidos para testar a aceitação da tecnologia. Os sistemas de movimento e controle remoto serão adaptados em tratores que já estão no mercado norte-americano. As atividades serão na Califórnia, escolha nada aleatória já que o Estado é um importante polo de desenvolvimento tecnológico.

“Vamos definir os degraus de autonomia a se implantar nos produtos. Depois desses projetos, haverá uma segunda fase que ainda não está definida. São testes para validar a tecnologia que, em algum momento, serão feitos, inclusive, no Brasil”, explicou Christian Gonzalez, diretor de Marketing.

Outras questões a serem superadas são fazer o equipamento controlado à distância chegar também à agricultura de pequena escala (baixa capacidade de investimento) e as consequências da adesão a esse tipo de tecnologia sobre o trabalho humano que, evidentemente, torna-se cada vez mais dispensável. O trator autônomo foi montado sobre uma plataforma da Case em que as máquinas variam de R$ 650 mil a R$ 1 milhão, dependendo do modelo, ou seja, apenas o grande latifúndio terá acesso, monopolizando cada vez mais o mercado e concentrando vertiginosamente mais terra.

A expansão da automação no campo é, naturalmente, promissora. Questionado sobre o mercado de máquinas agrícolas no Brasil, o vice-presidente da Case IH para a América Latina se disse otimista. Mirco Romagnoli lembrou que a expectativa do setor, de um modo geral, é de uma expansão de 15% a 20% em relação a 2016.

No primeiro trimestre deste ano, as vendas de máquinas agrícolas no mercado interno registraram um ritmo de crescimento bem maior que a expectativa. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas de janeiro a março 9.752 unidades de tratores e colheitadeiras. No intervalo de janeiro a março de 2016, a indústria registrou 6.912 equipamentos vendidos. A alta é de 41% de um ano para outro.

Nesse sentido, fica perceptível que, caso a classe trabalhadora não tome para si toda a propriedade da terra, será cada vez mais expulsa da produção, seja através do desemprego direto ou da perda de competitividade. Mais do que nunca, se faz necessária uma grande revolução agrária!

Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Empresas-e-Negocios/noticia/2017/04/case-apresenta-trator-autonomo-e-sem-cabine-no-brasil.html

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