Lula, condenado por Sérgio Moro a pouco mais de 9 anos de prisão, representa um fenômeno muitas vezes mal interpretado por setores da esquerda brasileira. Os seus seguidores acreditam ilusoriamente que Lula advoga por um projeto de defesa exclusiva da classe trabalhadora e, por esta razão, é perseguido, difamado e agora condenado. Esse último fato de certo ocorre, o ex-sindicalista é exageradamente difamado e foi condenado sem provas concretas, apenas por uma linha de “entendimento” que analisa-o enquanto (ir)responsável pela corrupção na Petrobrás apenas por ser o presidente em um dos períodos nos quais se deram os escândalos. Mas afinal, se ele é, pelo menos no processo do Tríplex, inocente, por qual motivo a mídia o persegue, o judiciário condena sem provas e o mercado financeiro celebra? Analisemos a princípio o projeto econômico que Lula representa, pois aí está a chave para compreender melhor essa questão.

Lula perseguido: keynesianismo x liberalismo

A ascensão do Lulismo

Dentro da conjuntura econômica global da última década, é indispensável entender o que foi o lulismo, a chegada do PT à gerência do Estado burguês, que basicamente se baseou num projeto de conciliação de classes com interesses antagônicos, bastante conflituosos, que em outrora protagonizavam uma luta de classes acirrada, em torno de um projeto econômico de keynesianismo moderado. Um exemplo concreto é a base social de apoio ao governo Lula ter inserido o agronegócio e o MST, setores historicamente inimigos de classe. Claro, com o agronegócio sendo muito mais beneficiado, recebendo 200 bilhões de crédito do BNDES, enquanto a agricultura familiar recebia 2 bilhões por ano. Ou seja, a manutenção dos privilégios e superlucros da grande burguesia e políticas compensatórias para os trabalhadores e mais pobres. E mais que isso, o lulismo representou o fortalecimento dos bancos públicos e do gasto público enquanto agente financiador da economia, reduzindo o papel do “mercado”. Na prática, isso significa que a Caixa, o Banco do Brasil e principalmente o BNDES tiveram um papel maior no fornecimento de crédito com juro diferenciado, menor que o do mercado, para obras públicas, empresas privadas e demais programas sociais, que o Estado passou a dar subsídios ao setor privado. Evidentemente, essa “conciliação de interesses opostos” só foi possível devido ao enorme crescimento da economia chinesa, grande consumidora de bens primários (soja, petróleo, carne, entre outros), setor que o Brasil é produtor e exportador.

Perseguição política

Como dito, Lula representa um projeto econômico de keynesianismo moderado, onde o Estado adquire maior presença na economia, algo que a burguesia, sobretudo os setores mais ligados ao mercado financeiro, abominam no momento, dada a situação de crise econômica. Quanto mais os bancos públicos interferirem na oferta de crédito, menor será o lucro dos bancos privados. Além disso, Lula tem criticado repetidamente as reformas trabalhista e da previdência do governo Temer, algo que condiciona a burguesia a acreditar que, caso o governo atual não consiga aprovar as reformas, Lula não as faria; daí a euforia com uma possível inelegibilidade ou desgaste da imagem do pré-candidato em 2018, bem como mais investimentos em moeda nacional, barateando o dólar. Em suma, estamos diante de dois projetos burgueses, um reivindicando Estado mínimo, e o outro uma presença moderada do Estado. Nenhum dos dois representam os interesses da classe trabalhadora, mas sim dos grandes capitalistas, com formas diferentes de gestão do mesmo sistema. A burguesia financeira é aquele tipo de senhor de escravos mais carrasco, que deixa os escravos sem roupas e comida adequada. Já Lula personifica a figura do senhor de escravos que fornece um ou outro prato de comida adicional e alguma roupa pra não deixar os escravos mortos de fome. Entretanto, ambos não desejam abolir a escravidão, apenas possuem maneiras diferentes de geri-la.

Um verdadeiro programa da classe trabalhadora objetiva fundamentalmente o fim da escravidão de classe, isto é, do sistema capitalista.

Comments

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  2. Com Temer teremos um sistema escravizador onde os escravos não tem direito a nada, com Lula teremos esse mesmo sistema, mais o que muda é, que com um prato de comida a mais para que esse escravo não mora de fome; ou seja se chegarmos a conclusão e o mesmo sistema, escravista que vai ficando aí invisível no poder.

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