Não há outra opção para a classe trabalhadora subsistir com dignidade senão colocar a propriedade das grandes multinacionais e empresas nacionais instaladas no país sob o seu controle e gestão, reduzir os impostos sobre o consumo e a produção e baixar drasticamente a taxa de juros.

A classe trabalhadora precisa tomar o poder político e econômico se quiser viver efetivamente com dignidade

Para entender melhor o cálculo feito para viabilizar o salário mínimo do DIEESE, apresentaremos alguns exemplos de divisão social do lucro de algumas empresas, além de dados e estimativas econômicas a respeito da socialização do lucro em larga escala.

AMBEV para a classe trabalhadora

A AMBEV, maior empresa de bebidas da América Latina, possui um lucro líquido anual aproximado de 9 bilhões no Brasil [1], com mais de 30 mil funcionários por aqui [2]. Se esse lucro fosse dividido entre os próprios trabalhadores, isto é, se a companhia fosse de propriedade deles, o salário de cada um receberia um aumento de 25 mil reais por mês. Ou então, seria possível manter um salário mínimo próximo de 4 mil dentro da empresa, com jornada de trabalho de no máximo 2 horas diárias e ainda gerar mais de 150 mil vagas de emprego.

VALE para a classe trabalhadora

A VALE, grande empresa brasileira de produção e exportação de minério de ferro, atingiu um lucro líquido superior a 13 bilhões [3] em 2016. Distribuindo essa quantia entre os 154 mil trabalhadores diretos e terceirizados [4], cada trabalhador teria um acréscimo de 7 mil reais por mês em seu salário. Com essa quantia, caso a VALE fosse de quem nela trabalha, seria possível dobrar o salário mensal dos funcionários, reduzir pela metade a jornada de trabalho e ainda gerar quase 200 mil novos empregos diretos com salário mensal de 4 mil.

A socialização em larga escala

As multinacionais remetem ao exterior 90 bilhões anualmente [5]. Como sempre deixam uma parte no país para reinvestimento, o lucro total deve girar em torno de 150 bilhões. Apenas as 294 maiores empresas nacionais, que representam cerca de 0,001% do total de empresas (21 milhões [6]), possuem um lucro líquido anual de aproximadamente 100 bilhões de reais [7]. Soma-se a essa quantia os impostos sobre o consumo e a produção, que giram em torno de 1 trilhão e 400 bilhões [8] (serão reduzidos para 400 bilhões). Mais 120 bilhões com publicidade [9]. Fora os custos com burocracia, supersalários, juros alto, etc, (estimativa de 100 bilhões). Temos no total um valor de R$ 1.470.000.000.000 a ser repartido de imediato entre a classe trabalhadora.

Se dividíssemos essa quantia para os 34 milhões de trabalhadores do setor privado com carteira assinada [9], chegaríamos a um acréscimo imediato de R$ 3.602,00 reais no salário mensal de cada trabalhador, totalizando R$ 5.455,00 (salário médio de R$ 1.853 reais junto com o acréscimo). Como o salário aumentaria, consequentemente a receita gerada por esse setor através do consumo de bens e serviços (38% do número de ocupados) também cresceria (o consumo cresce, as receitas aumentam), logo, o valor de 1 trilhão e 470 bilhões passaria a ser de 2 trilhões e 28 bilhões. E cada trabalhador teria um novo acréscimo de R$ 1.369,00, chegando ao salário médio de R$ 6.824,00. Além disso, seria possível reduzir a carga horária de 8 para 4 horas por dia e ainda empregar mais de 15 milhões de novos trabalhadores com remuneração mínima de 4 mil reais no setor privado. No total, já a curto prazo, no primeiro ano após a concretização da revolução, considerando apenas as 294 maiores empresas nacionais e as multinacionais, teríamos pelo menos 50 milhões de trabalhadores com carteira assinada no novo setor cooperativo recebendo 4 mil no mínimo e 5 mil reais em média.

Nos anos seguintes, os custos com energia (solar), transporte (autônomo e movido a energia solar/elétricos) e alimentação (aumento da oferta com a revolução agrária) seriam drasticamente reduzidos, viabilizando o aumento do salário médio e mínimo e a redução permanente da carga horária, que diminuiria inevitavelmente conforme o crescimento da produtividade.

A socialização dos meios de produção, isto é, a transferência das grandes empresas instaladas no Brasil para a classe trabalhadora, não é algo duvidoso ou utópico em termos financeiros, é plenamente concreto, objetivo, viável e acaba com todos os problemas relacionados a pobreza, serviços públicos ruins, baixa arrecadação do Estado, desigualdade social extrema, exclusão, indigência, desemprego tecnológico, fome, alta criminalidade, entre outros.

Portanto, sim, o socialismo tem o potencial de proporcionar uma excelente qualidade de vida para todos.

FILIE-SE ao LUTE e construa conosco essa realidade!

Referências:

[1] https://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/ambev-tem-queda-de-20-no-lucro-liquido-do-1o-tri.ghtml

[2] http://www.infomoney.com.br/carreira/noticia/5637569/salarios-dos-funcionarios-ambev-cargos

[3] https://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/lucro-da-vale-fica-em-r-133-bilhoes-em-2016.ghtml

[4] http://www.vale.com/brasil/PT/aboutvale/across-world/Paginas/default.aspx

[5] http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/06/2018elites-sempre-fizeram-politica-tributaria-conveniente-a-seus-interesses2019-6638.html

[6] https://www.brasildefato.com.br/2017/04/19/em-plena-crise-economica-empresas-lucraram-rdollar-1033-bilhoes-em-2016/

[7] https://www.empresometro.com.br/

[8] http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2015/03/22/internas_economia,476454/brasil-adota-modelo-de-arrecadacao-de-impostos-focado-no-consumo.shtml

[9] http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2016/07/gastos-com-publicidade-no-brasil-crescem-1-no-1-semestre.html

[10] http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-sobe-para-11-6-e-brasil-soma-quase-12-mi-de-pessoas-desocupadas,10000072867

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