A luta de classes e o marxismo representam, acima de tudo, a luta pela unificação no seio do proletariado enquanto classe política orientada na ciência marxista a destronar a burguesia e liquidar de vez as contradições entre as classes e a opressão de uma classe sobre outra (Burguesia x Proletariado). Dentro do proletariado em nosso país assim como no resto do mundo, a classe trabalhadora encontra-se desorientada e dividida por uma série de fatores e aflições disseminadas pela ideologia burguesa, sendo a questão étnica não só uma forma histórica de repressão do proletariado negro e indígena dentro da trajetória de marginalização pela grande burguesia branca, que no Brasil e em boa parte do mundo os fez primeiro de mão-de-obra escrava, e hoje os faz de mão-de-obra mais barata ainda que o proletariado branco. Para além disto, a ideologia racista disseminada pelas estruturas do Estado, assim como pela grande mídia, segrega e divide mais ainda a classe trabalhadora e as massas, que são colocados uns contra os outros onde os brancos aprendem e internalizam o ódio à população negra, e estes aprendem e internalizam, reproduzido muitas vezes para com seus semelhantes a opressão que sofreram historicamente, tanto quanto no árduo cotidiano. Mais do que nunca, em um país racista e com herança escravocrata onde boa parte da classe trabalhadora e da pobreza é negra (71% dos mais pobres), é essencial a construção e orientação política através de um partido de vanguarda da luta classista que guie as massas para a unidade e agrupamento político, implicando assim em unir os trabalhadores negros, indígenas e brancos, todos dispostos a liquidar tanto o racismo quanto a opressão geral da burguesia e a atuação do imperialismo que difunde ainda mais tais entraves no seio do proletariado.

Apenas a superação do capitalismo pode libertar o povo negro e trabalhador

Existe ainda por parte dos oportunistas e liberais, que muitas vezes se travestem de defensores do povo, uma falácia a respeito do marxismo ser uma ideologia de “colonizadores”, dado a sua raiz em Marx e Engels, que eram brancos e europeus. Isto é evidentemente falso, uma tremenda distorção e oportunismo daqueles que provavelmente mal leram ou compreendem a essência do marxismo. Além do que nos mostra a história com o internacionalismo proletário de líderes como Che Guevara, Mao Zedong e tantos outros que apoiaram e se colocaram a disposição da solidariedade na luta contra o imperialismo no continente africano (Che tendo ido pessoalmente lutar no Congo, Mao tendo declarado formalmente seu apoio em uma visita de africanos na China) e tendo o IV Congresso da 3ª Internacional Comunista de 1922 trazido considerações claras e enfrentamentos objetivos perante o racismo. Essas acusações também partem por vezes de uma leitura equivocada da historicidade da edificação dos antagonismos que constroem e delimitam o mundo capitalista e atual, partindo estes da ideia de que tais contradições preponderantes para a formação da atual sociedade seja a aversão entre as raças (Brancos x Negros, Indígenas,etc), sendo esta uma leitura distorcida. Estes antagonismos realmente existem e são preponderantes a diversas questões, porém, historicamente, não são os que edificam e norteiam a primórdio o mundo atual, os que o fazem são na verdade os antagonismos de classe. Na era colonial, por exemplo, o movimento antagônico entre o senhor (o branco europeu) e o escravizado (o negro), se deu a partir de uma orientação baseada em divergências entre classes, tendo sido historicamente o racismo um gatilho e justificativa para aprisionar e sequestrar esses povos de seus territórios.  Além disto, o racismo constitui-se culturalmente na sociedade capitalista, na qual o trabalhador negro, por estar majoritariamente numa condição de exclusão social, passa a ter permanentemente um perfil “propenso” a faz parte da criminalidade, sendo este estereótipo reforçado pela mídia e difundido entre as estruturas do Estado, tais como a polícia e a justiça.

Portanto, mais do que nunca é importante elucidar e reivindicar o racismo enquanto uma extensão histórica do classismo, e arma da burguesia para perseguir e aterrorizar a classe trabalhadora e as camadas mais pobres da sociedade, por isso nós que lutamos pela verdadeira e digna democracia, a democracia proletária, devemos estar aptos a unir e edificar a luta com as massas, banindo não só o racismo, mas o machismo, a lgbtfobia e afins, sendo todos estes intimamente ligados a opressão histórica da propriedade privada e seu desenvolvimento histórico, a ponto de criar um proletariado forte, unido, despido de qualquer barganha, divisão e luta interna. Só assim poderemos de uma vez por todas destruir o capitalismo e destituir a burguesia de seu sádico domínio! Socialismo ou barbárie!

Fontes:

https://serviraopovo.wordpress.com/2016/07/16/a-questao-racial-e-uma-questao-de-classe-mao-tsetung/

http://anovademocracia.com.br/no-159/6150-o-genocidio-do-povo-preto-existe-e-e-consequencia-do-genocidio-do-povo-pobre

https://serviraopovo.wordpress.com/2016/07/14/tese-sobre-a-questao-negra-internacional-comunista-1922/

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,71-dos-mais-pobres-brasileiros-sao-negros-diz-ipea,20060926p58951

Autoria: Luan Velloso

 

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